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Eficiência na Utilização de Recursos

Como Garantir a Qualidade sem Comprometer a Sustentabilidade? Falar sobre eficiência e recurso na mesma conversa deveria ser obrigatório, numa época em que os recursos estão...

Eficiência na Utilização de Recursos

Como Garantir a Qualidade sem Comprometer a Sustentabilidade?

Falar sobre eficiência e recurso na mesma conversa deveria ser obrigatório, numa época em que os recursos estão cada vez mais escassos, e as organizações de saúde enfrentando uma luta constante para equilibrar suas contas.

A verdade é que não importa quantos recursos você tenha, se não souber usar nunca serão suficientes. E no caso específico do Setor de Saúde, a questão do equilíbrio financeiro passa pela necessidade urgente de buscar a eficiência operacional, que é a capacidade de oferecer serviços da melhor forma possível, utilizando os recursos disponíveis de maneira otimizada.

O dilema tradicional é: Onde cortar custos? Como otimizar recursos? O que cortar primeiro?

Sabemos que nossas escolhas erradas vão necessariamente nos levar a cortes indiscriminados que prejudicam os processos essenciais e em última instância, impactam na continuidade do nosso negócio.

Então nos resta a questão de como é posssível mais com menos, sem abrir mão da qualidade! E a pergunta do milhão é: “Quando a qualidade e segurança do paciente custa menos?”

A resposta está nos custos invisíveis…nos desperdícios que produzimos com as ineficiências dos nossos processos. Alguém sabe quanto isso custa para sua organização?

A revista Valor em Saúde publicou em setembro de 2024, que de acordo com a OMS, estima-se que 20% a 40% dos gastos totais em saúde no Brasil são desperdiçados com ineficiência, ou seja, o Brasil perde cerca de R$150 a R$300 bilhões anualmente em desperdícios.

Eu vou ainda mais fundo, e afirmo sem medo de errar, que as organizações de saúde devem desperdiçar em ineficiência (também podemos chamar de “má gestão”), nada menos do que 30% de suas respectivas receitas…e a seguir vou explicar porque.

Para fundamentar os conceitos a seguir, vamos voltar um pouco no tempo…nos anos 60, Frank Gryna conceituou o que ele chamou de CoPQ (em inglês Cost of Poor Quality), que podemos traduzir como “Custo da má Gestão”. Este conceito foi criado para estimar o quanto custa fazer mal as coisas, ou seja, quanto custa não fazer qualidade. Dessa forma, Gryna conseguiu quantificar e apresentar para a alta direção da empresa que trabalhava, na linguagem deles (ou seja, a linguagem do dinheiro), que 40% da receita da empresa escoava pelo “ralo”. Ou seja, o desperdício com a ineficiência custava 40% da receita da empresa.

Gryna classificou esses custos em 3 categorias: custo de prevenção, custo de avaliação e custo de falhas.

O custo que se gasta em prevenção é tudo o que fazemos para melhorar a Qualidade e prevenir problemas futuros.

O custo de avaliação é gasto para verificar se estamos fazendo o que deveríamos, ou seja, cumprindo regras, regulamentos, protocolos para identificar possíveis falhas ou oportunidades de melhoria.

O custo de falhas, está concentrado na correção dos erros identificados internamente na empresa, ou após o serviço prestado. No último caso com um valor muito maior pelas possíveis consequências que podem implicar.

O CoPQ de Gryna pode ser traduzido como “tudo o que não existiria se tudo fosse perfeito”. Podem imaginar esse custo na sua empresa?

O que Gryna provou foi que os custos gastos em PREVENÇÃO, quanto maiores, reduzem drasticamente os custos de FALHAS, e em quase a metade dos custos totais.

Pois é….nada diferente do que conhecemos na saúde. Em todas as esferas, desde as pessoas até as organizações. PREVENÇÃO é a receita para a SUSTENTABILIDADE!

No final da década de 90, eu tive a honra de trabalhar numa pesquisa com Frank Gryna para estimar custos da má gestão (CoPQ) em empresas no Brasil e nos EUA. Estudamos duas seguradoras, uma no Brasil e outra nos EUA. E pasmem, levantamos que o custo da má gestão equivalia, naquelas duas empresas, em mais de um mês de faturamento!!!

Focar na prevenção, implantar controles, reduzir as ineficiências e não conformidades, evitar a perda de receita por má qualidade, é a chave para o sucesso.

Medir, controlar e gerenciar também os custos não visíveis, ou seja, os custos não contabilizados tradicionalmente, é essencial para garantir a eficiência e assegurar a qualidade de tudo o que fazemos.

A eficiência na utilização de recursos, aliada à qualidade, não é apenas uma necessidade, mas também uma oportunidade para liderar a transição para um futuro mais sustentável. Ao adotar práticas que priorizam a qualidade, as empresas podem não apenas reduzir seus custos de ineficiência, mas também oferecer produtos e serviços de excelência que conquistam a confiança e a lealdade dos usuários. Este equilíbrio é o caminho para um mundo onde a prosperidade econômica do setor de saúde e o respeito à qualidade e segurança das pessoas caminham lado a lado.

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